24/02/18

Karina Gomes: AMOR LIVRE!



Karina Gomes, uma das referências da música moderna guineense, foi uma das muitas descobertas que me foram proporcionadas pelos meus alunos na primeira deslocação à Guiné-Bissau (em 2016). Partilho um  belíssimo videoclip com "Amor livre", uma das suas mais conhecidas canções. Os poucos conhecimentos que tenho de crioulo guineense não permitem avaliar a qualidade da tradução. Pelo menos, dá para ter uma ideia da mensagem. Quem tiver sugestões para aperfeiçoar a tradução, é só deixar um comentário ou contactar-me por e-mail (professor.ap@gmail.com).
Abraço.
ProfAP

Karyna Gomes – Amor livre
Bu udju na boia ba mimo
Riba de un mar sussegado
Rafelga de tchuba
Tchora si larma dinguidu
Bas de un sukuru ku kubrinu ba

Lagrimas kirci
I intchi dentru de un korson de mimu
Alegria prumessa so di momentu
Amor livre stau na sangui


Anta goci gora i kuma i kuma
Pa no fikal sin
Teus olhos boiavam de mimos
sobre um mar de tranquilidade
Os pingos de chuva lá de fora
choravam lágrimas solitárias
em meio à escuridão que nos envolvia

Vieram então as lágrimas
e elas transbordaram dentro do meu coração de mimos
A alegria é promessa passageira
Esta no teu sangue viver livre, sem se prender

Mas e agora, como é que vai ser?
Vamos deixar assim?

Fonte: http://lyricstranslate.com/pt-br/amor-livre-amor-livre.html

Para conhecer aspetos da vida e percurso artístico desta cantora, é só clicar AQUI.

Karyna Gomes, uma voz urbana para a Guiné-Bissau!

Apresentação de Karyna Gomes, uma das referências da música moderna guineense, num artigo de Nuno Pacheco publicado no jornal Público, em 7 de novembro de 2014 (foi mantida a ortografia original: AO45).

Guiné-Bissau tem uma nova voz: Karyna Gomes. Vem juntar-se a um lote de músicos que têm vindo a mostrar-se ao mundo, como Manecas Costa, Justino Delgado ou Eneida Marta. (…)

Karyna nasceu em Bissau, a 13 de Fevereiro de 1976, dois anos após a independência. "Sou daquela leva de bebés que nasceu dos filhos dos ex-combatentes". E foi em Bissau que fez os estudos, primários e secundários. Isto até 1994. "Depois trabalhei um ano, enquanto esperava uma oportunidade para prosseguir os estudos, porque não havia universidade em Bissau. Até que, em 1996, fui contemplada com uma bolsa do governo brasileiro, do Itamarati, para fazer um curso de jornalismo na Universidade Católica de São Paulo." E foi para o Brasil. Nesse período, o seu país tremeu. "Houve a tal guerra de 98, que devastou a minha cidade e afectou a minha família, porque perdemos a nossa casa no conflito." Isso levou-a a ficar mais um ano no Brasil do que o previsto, para lá dos quatro anos que durara o curso. E isso abriu-lhe as portas à música. "Comecei a cantar num coro gospel, numa igreja evangélica de São Paulo, e fui convidada depois para ser solista. Foi aí que comecei a cantar. E não parei, até hoje."

Mas entretanto voltou para a Guiné, logo que pôde. "Lembro-me de ter recebido o diploma do curso e querer coltar logo. Eu sabia que havia muitas lacunas no sector da comunicação e queria ajudar. E acho que consegui dar algum contributo." Quando voltou, em 2001, foi para a delegação da RTP-África até o então presidente Kumba Ialá ter decidido fechá-la. Depois foi para a rádio e apanhou, é ela que o diz, "o bichinho da rádio". Antes, trabalhara como correspondente da Associated Press e colaborou com o jornal A Semana, de Cabo Verde. Na rádio atraiu-a a comunicação para o desenvolvimento. "Tinha uma abordagem específica que passava por ir ao terreno e criar uma forma de trabalhar em parceria com os comunicadores radiofónicos locais, porque há uma forma própria, específica, de fazer rádio em África."
Em termos de experiências paralelas à música, não iria parar por aí. Depois da rádio, onde esteve até 2008, ainda fez assessoria de imprensa na Unicef, mas sempre em Bissau. "Foi um trabalho interessante, aprendi muita coisa. Mas não fiquei mais porque senti que isso me iria tirar da música." Onde ela já estava, aliás, desde o seu regresso. "Houve um reencontro, meu, com a música urbana da Guiné. Dentro do contexto religioso, porque a igreja que eu passei a frequentar na Guiné já não tinha um coro gospel, no formato negro-americano, mas música sacra em crioulo e outras línguas da Guiné. E achei que isso tinha mais a ver comigo."

Primeiro começou a cantar num restaurante, em 2005, impulsionada por uma prima, depois foi convidada a integrar o grupo Super Mama Djombo. Mas não quis gravar logo. Achou que devia começar primeiro um processo de investigação na música. "Fui para a rádio nacional consultar as pessoas, o Super Mama Djombo foi decisivo porque é um grupo histórico da Guiné-Bissau. Aprendi muito com todos eles, sobretudo com a primeira geração do grupo."

Vozes do mundo
Mas é a sua ida para Lisboa, "cansada da rotina da comunicação" e desejosa de fazer um mestrado, que lhe abre o caminho para gravar o primeiro disco. Conheceu a Get!Records, hoje a sua editora, e apresentou-lhe uma "maquetezinha caseira". "Eles gostaram a acharam que tinham ali material para trabalhar." Por isso avançou com o disco e só depois completará a tese. "O tema que eu escolhi tem a ver com música, porque a música teve um papel fundamental na mobilização da juventude urbana para as grandes causas nacionais, a começar pela independência."
O disco de Karyna Gomes reflecte isso, em termos sonoros. "Quando medito no meu trabalho, vejo que este primeiro disco é essencialmente uma genealogia da música urbana guineense. Porque eu canto em crioulo e mesmo a música mais tradicional que eu fiz no disco, que é o Nha cunhada, é uma música da cidade, embora ainda não tenha nenhum instrumento ocidental. O único instrumento ocidental que entra na música urbana da Guiné é o acordeão, que está muito ressente no disco."

Por isso, ela insiste nesta ideia: "Aqui não vejo nada de étnico, mas sim da música urbana. Quando pego num tema que o Zé Manuel Fortes fez em 1978, ponho um pianoforte e faço uns improvidos de gospel, tenho um coro. E isso já tem a ver com os processos de identificação da minha parte. Porque eu nasci na Guiné-Bissau mas a minha mãe é cabo-verdiana, o meu pai é guineense, os meus tios-avós tinham uma estante cheia de discos cubanos e brasileiros, de bossa nova. Ora por causa dessas influências já lá de casa (o meu pai sempre ouviu muita música do mundo todo, cubana, brasileira, americana), em pequena ouvi muito Michael Jackson, Whitney Houston, Toni Braxton e esses nomes da música pop americana, mas também do soul, do jazz e do rhythm’n’blues e isso acabou por influenciar a minha musicalidade. Em Bissau, as pessoas da minha geração estão contentes, porque ainda não tinham encontrado ninguém que tivesse a ousadia de gravar um disco que trouxesse aquilo que nós ouvíamos: o funk, o soul, o groove americano, isso misturado com às outras coisas de base da nossa música."


Conheça a música de Karyna Gomes no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=Ng4i_3sg45w
https://www.youtube.com/watch?v=KBIU73OeCs8
https://www.youtube.com/watch?v=tSSylKquZ7M
https://www.youtube.com/watch?v=a5oat4XOmqY
https://www.youtube.com/watch?v=tT6sQCut11g
https://www.youtube.com/watch?v=sBel6B9_vsc
https://www.youtube.com/watch?v=LrMSEfTCx_Y

Abraço.
ProfAP

22/02/18

Bombons luso-guineenses!



Em especial para os amigos de Bissau e da “Ser Mais Valia”, associação de voluntariado de que faço parte, aqui fica uma iguaria irresistível!
Simples de fazer e saudáveis, estes bombons dão asas à alma. Partindo de uma tablete de chocolate negro, a guloseima atinge o seu ponto  alto com o contributo de deliciosos ingredientes:
1.      A representar a Guiné-Bissau, caju crocante e mancarra (amendoim) miúda estaladiça (ambos comprados em Bissau em janeiro) e papaia cristalizada (a manga também seria uma possibilidade).
2.     Em nome de Portugal, nozes do Alentejo e amêndoas do Algarve. Finalmente, a dar um toque da minha região, um cheirinho de vinho moscatel de Setúbal.
A decoração dos bombons pronta a aplicar!

Ingredientes para cerca de 20 bombons:
.1 tablete de 200 g de chocolate negro (70% de cacau)
.1 colher de sopa de vinho moscatel ou licor de laranja/tangerina (opcional)
.12 colheres de sopa de água
.papaia (e/ou manga) cristalizada (ou desidratada)
.frutos secos partidos em pequenos pedaços: caju, amendoins, nozes e amêndoas (sem pele e torradas)

Preparação:
1. Aqueça, em banho-maria, o chocolate, partido em pedaços pequenos, com o moscatel e a água.
2. Mexa bem até o chocolate estar bem líquido e sem grumos.
3. Divida o chocolate derretido em pequenas porções sobre uma folha papel vegetal colocada num tabuleiro.
4. Enquanto o chocolate estiver quente decore com os pedacinhos de papaia e de frutos secos.
5. Guarde no frigorífico durante cerca de 2 horas.
6. É só servir-se dos seus deliciosos bombons. Simples ou a acompanhar um cafezinho aromático acabado de fazer!

Bon appétit!
ChefAntónio

18/02/18

Caril de tremoços c/ arroz de cravinho!


Fonte de proteínas, fibras e minerais, depois do hambúrguer (AQUI), aí está o tremoço de novo em destaque! A proposta de hoje é uma refeição 100% vegetariana, rica, económica e muito saborosa.
Nota prévia: Os tremoços foram postos de molho no frigorífico. No dia seguinte, foram descascados e cozidos na panela de pressão durante 25 minutos para ficarem bem macios.
Ingrediente para 4 doses:
.400 g de tremoços
.2 colheres de sopa bem cheias de caril
.4 colheres de sopa de leite coco
.1 cebola média picadinha
.3 dentes de alho (também picados)
.4 colheres sopa de óleo vegetal (usei de coco) ou azeite
.1 colher de chá de gengibre fresco picado (opcional)
.1 malagueta picada (sem as sementes)
.1 ramo de coentros
.1 lima (raspa e sumo)
.sal
Para o arroz: .200 g de arroz / .2 vezes e meia o volume do arroz / .2 cravinhos /.sal / .2 colheres de sopa de azeite (ou óleo)

Preparação:
1. Aqueça o azeite (ou óleo), junte a cebola, os alhos, a malagueta e o gengibre e deixe estufar em lume médio.
2. Acrescente o leite de coco, os tremoços, o cari, uma pitada de sal e envolva tudo.
3. Deixe cozinhar durante 5 minutos em lume baixo.
4. Junte a raspa e o sumo da lima e os coentros picados, mexa bem.
5. Passados 3 minutos, está pronto.
6. Sem demoras, sirva com o arroz e uma salada mista de alface e rúcula.
7. A acompanhar, uma cerveja bem fresca! Se se quiser portar bem, opte pela laranjada de gengibre (AQUI)
O arroz é muito fácil de fazer: Deixe o arroz fritar 30 segundos no azeite (assim fica mais solto no final), junte a água (a ferver), os cravinhos e uma pitada de sal. Deixe ferver em lume baixo até o arroz estar quase cozido (10 a 12 minutos). Desligue e deixe repousar 5 minutos com o tacho tapado.

Bon appétit!
ChefAntónio

12/02/18

Bebidas alternativas: laranjada de gengibre!

Cor natural, sem corantes nem conservantes...


Esta bebida é uma adaptação de uma receita apresentada por Jamie Oliver no 24Kitchen. Ingredientes naturais, excelente sabor, confeção muito fácil.

Ingredientes:
.2 laranjas médias
.2 limas (ou 1 limão)
.40 g de gengibre em fatias finas
.1 colher de sopa de mel (não estava na receita original)
.1,5 l de água
Preparação:
1. Num tacho, coloque a casca (sem a parte branca) de uma laranja, o sumo das duas, as limas (com casca) cortadas em rodelas finas, o gengibre e o mel.
2. Deite sobre os ingredientes a água a ferver e deixe infundir durante 20 minutos.
3. Coe e guarde em garrafas de vidro.
4. Sirva frio ou à temperatura ambiente.
Nota: Hoje, ao jantar, esta bebida ligou na perfeição bem com uns hambúrgueres de grão-de-bico com especiarias, cuja receita, saborosa e simples, publicarei em breve.

Abraço e boa semana com comida saborosa e saudável!
ChefAP

Pequenas coisas da vida: vinho moscatel!

A luz do sol: do Douro para um cálice...

“Aromas delicados, com notas de mel e laranja. Cor dourada, fresco e elegante. Um óptimo aperitivo para acompanhar uma boa conversa, em boa companhia. Deve servir-se fresco.” 
(Descrição numa garrafa de moscatel.)

Eis a prova que a linguagem pode, definitivamente, valorizar a realidade. Neste caso, um vinho moscatel. FAVILLA é uma marca que desconhecia e que encontrei em promoção no Pingo Doce.
Embora fã incondicional dos moscatéis de Azeitão (ditos de Setúbal), este moscatel tem uma doçura suave e reconfortante. Imaginei as uvas a encheram-se de sol e a refinarem os aromas nas encostas do Douro com os olhos postos no rio…
Um pormenor: dizem os especialistas que o moscatel deve ser servido à temperatura ambiente (sem casquinha de limão nem gelo) e não fresco. Só assim se pode apreciar a complexidade de sabores e aromas deste néctar feito a partir de uma variedade de uva que nos foi trazida pelos Romanos (que a foram buscar à Grécia).
Beba com moderação e viva a vida com intensidade!
Abraço.
ChefAP

10/02/18

A mosca Zuzu!


A mosca Zuzu

Era uma vez uma mosca varejeira muito bonita chamada Zuzu que tinha umas lindas asas transparentes e uns grandes olhos que viam em todas as direções.

Andava sempre a voar, pois adorava ver o mundo lá de cima e descobrir coisas boas para comer e ideias para brincar e divertir-se muito.
Quando tinha fome, aproveitava todas as oportunidades para enfiar a sua pequena tromba numa carne apetitosa ou num peixinho acabado de pescar. O problema é que, como queria o melhor o para os seus filhos, punha ovos nos petiscos que ficavam estragados. Por isso, as pessoas não gostavam dela e perseguiam-na com mata-moscas e inseticidas.
Um dia, encontrou uma cadela chamada Fofinha e ficaram muito amigas.
Com a Zuzu pousada na cabeça, a Fofinha corria na praia junto ao mar até ficar cansada. A mosca adorava sentir o ar fresco nas asas e nos pelos das suas seis patinhas. Depois, encostadinhas uma à outra, dormiam e sonhavam com novas brincadeiras.
E viveram felizes para sempre.
António Pereira
Ilustrações retiradas de um banco de imagens livres de direitos (www.dreamstime.com).